Iniciativa brasileira une agronegócio e ambientalistas para defender florestas



Em todo o mundo, entidades de conservação das florestas e representantes do agronegócio parecem dois grupos absolutamente separados e inconciliáveis. Nos últimos 25 anos, o planeta perdeu 1,3 milhão de km2 de florestas, área superior à da África do Sul, grande parte transformada em campos de cultivo.

É possível aproveitar a riqueza das florestas e, ao mesmo tempo, promover a conservação diante da necessidade de cultivar alimentos para uma população que chegará a 9 bilhões em 2050?

Alguns passos já estão sendo dados nessa direção. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que já une cerca de 120 participantes (entre grandes empresas, academia e ONGs) é um deles. A iniciativa brasileira se propôs a juntar ambientalistas e entidades do agronegócio à mesa para promover maneiras de conservar e recuperar as matas mesmo na agricultura de larga escala.

O biólogo Roberto Waack, um dos fundadores da Coalizão e presidente da empresa Amata (de manejo sustentável de florestas) explica que técnicas e tecnologias modernas tornam possível aliar conservação e produção. Para ele, poucos países têm condições de fazer isso melhor do que o Brasil.

“Os países que conseguirem conciliar produção de alimentos, energia e outros bens com a atividade florestal terão uma vantagem comparativa muito grande neste novo cenário que está se descortinando, de produção de matérias-primas de baixo carbono”, comentou Waack.

A convivência entre bosques e cultivos pode ser feita de duas formas. “Uma delas é aliar a renda da produção de grãos ou pecuária com a renda vinda de uma floresta bem gerenciada. Adiciona-se ao que acontece dentro da fazenda um novo portfólio de produtos (madeira de manejo sustentável, por exemplo)”, explicou.

Existem também as agroflorestas, em que produtos como café, cacau e frutas são plantados à sombra das árvores. Isso permite obter produtos de melhor qualidade e com características mais desejáveis pelos consumidores, como sabor e concentração de princípios ativos.

Fundada em dezembro de 2014, a Coalizão passou o primeiro ano se organizando para as discussões da COP 21, em Paris, e em 2016 partirá para ações mais práticas.

As entidades participantes se dividem em grupos de trabalho sobre temas como o Código Florestal Brasileiro, economia das florestas tropicais, agricultura com baixa emissão de carbono e mecanismos de valoração de carbono, entre outros. Quando cabível, os próprios integrantes se encarregarão de implementar as atividades decididas pelos grupos.

“Os países que conseguirem conciliar produção de alimentos, energia e outros bens com a atividade florestal terão uma vantagem comparativa muito grande neste novo cenário que está se descortinando, de produção de matérias-primas de baixo carbono.”

FONTE: https://nacoesunidas.org/iniciativa-brasileira-une-agronegocio-e-ambientalistas-para-defender-florestas/